O Brasil teve um ataque epilético.A nação febril se contorcia numa convulsão enérgica, sacudindo os membros tortos e raquíticos. A nação agonizava.
Convocou-se uma reunião e doutores de coisa alguma diagnosticaram uma crise política. Por baixo da superfície podre havia um câncer antigo, mas os doutores se restringiram à epiderme.
Passadas as convulsões, dada a ineficácia do inseticida, o Brasil perceberia enfim, pálido e apático, a sua verdadeira enfermidade: Brasil sofria de engano. Uma crise essencialmente moral, intelectual, social, educacional, profissional, cultural, ética, racial, caótica, analfabeta e geral.
Que faria a primorosa nação para curar a praga se o câncer é antigo e já ocorreu metástase? E o que vale a metáfora, se parece não haver cura pra esse ciclo vicioso e caduco que tem sido a política brasileira ? Para os órgãos enfermos dessa terra já não bastam curativos. “Bandaid não tampa ferimento a bala” e medidas permanentemente provisórias como as cotas e os benefícios já não estancam o sangue rosa-choque do analfabetismo, funcional e profissional, jorrando do sistema público de ensino.
O que fazer? Há de se fazer muito, mas essencialmente, há de se voltar ao princípio básico e primordial da Educação: formar cidadãos. Há de se resgatar o devotamento cívico, há de se civilizar. Há de se limpar os salões do congresso, há de assear o nosso país, o nosso chão. Há de se fazer justiça e estabelecer, pela primeira vez, Democracia. Há de se reformar a constituição e os nossos conceitos. Abrir aquela gaveta, colocar novamente a velha e surrada estrela no seu lugar e com ela no peito, repintar nossas bandeiras daquele vermelho vivo de antes, pois quero eu acreditar que o PT não é o partido do Delúbio, Dirceu, o sujeito da cueca, ou qualquer outro exemplo infeliz das nossas más escolhas, sei que o PT sempre foi e sempre será o Partido dos Trabalhadores e não pretendo engolir a declaração enganosa do contrário.Uma minoria infeliz não há de destruir toda uma ideologia tão custosamente construída na luta pelo estabelecimento de um sistema em que a maioria valesse mais.
Compreendo a dor do meu povo e a sinto com o mesmo pesar.Tenho na boca o mesmo gosto amargo de frustração, sei que essa dor justifica o furor cego do cidadão Mas por isso ,há, também, de se desmistificar política. Há de se fazer Democracia uma coisa pública, já que depois dessa Democracia que priva, tal afirmação não mais soa pleonasmo.
Busco a conclusão deste manifesto me repetindo, pois não é de conscientizar que se trata a formação de cidadãos? E não seria o ato de fiscalizar o maior dos deveres cívicos? Levantem-se, irmãos, enfurecidamente brasileiros! Esta luta é sua, chega de delega-los a terceiros. Este é, sabidamente, um fardo seu: cuidar do seu país, e interesse nosso manter os órgãos desta terra sãos.
Este é apenas um manifesto contra o comportamento passivo-agressivo do cidadão brasileiro em relação aos seus maiores interesses, um manifesto contra o analfabetismo em todas as suas formas, contra a privatização da nossa política, contra a privatização das nossas almas, contra o gosto amargo em nosso paladar.
Minha sede é pelos orçamentos participativos, plenárias repletas de gente, reuniões de conselhos, debates em praça pública. Minha sede é por mundificar. Minha cede é por CIDADANIA. Talvez para alguns um sonho utópico e pueril, mas para muitos o que lhes move a continuar. Façamos nós as nossas cidades; façamos nós o nosso país, pois se é de um governo do povo que se trata Democracia, tamanha palavra não há de permanecer figurativa.
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